Operação “Predador Oculto”: Polícia Ambiental desmantela grupo de caça ilegal na região Meio-Oeste
Em vídeo, Comandante da Polícia Ambiental, revela que grupo mantinha arsenal bélico proibido.
O que parecia ser apenas mais uma denúncia de crime ambiental no Meio-Oeste catarinense revelou as engrenagens de um grupo altamente equipado e focado na matança de animais silvestres. Na manhã desta quinta-feira (18), a Polícia Militar Ambiental deflagrou a Operação “Predador Oculto” no município de Ibiam, desarticulando um esquema que contava com um verdadeiro arsenal de guerra.
A operação começou por volta das 6h da manhã e mobilizou um forte aparato de segurança, contando com cerca de 35 policiais militares. A ação é o desfecho de aproximadamente três meses de investigações sigilosas conduzidas pela Agência de Inteligência do 2º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (2º BPMA), com sede em Joaçaba.
Arsenal e “Abate sem chance de defesa”
Durante o cumprimento dos cinco mandados de busca e apreensão, deferidos pela Justiça da Comarca de Caçador após manifestação do Ministério Público, os números surpreenderam as guarnições. Mais de 15 armas de fogo, a grande maioria espingardas e rifles, além de revólveres, foram retiradas de circulação. O poder de fogo do grupo era sustentado por um estoque de quase 2.000 munições.
No entanto, o que mais chamou a atenção dos investigadores foi o nível de sofisticação e premeditação dos caçadores. Para mapear o alvo, os investigados espalhavam “armadilhas fotográficas” camufladas nas matas da região. Os equipamentos registravam imagens e horários, permitindo que o grupo estudasse a rotina dos animais silvestres antes de retornar para o abate.
Na hora da caçada, a vantagem era desleal. Os policiais apreenderam lunetas de visão noturna e silenciadores — equipamentos de uso restrito ou proibido. “É um material bélico que realmente não dá chance para qualquer sobrevivência de um animal silvestre”, destacou o Tenente-Coronel Souto, que acompanhou a operação.
O trabalho de inteligência foi fundamental para o êxito da missão. Segundo o Capitão Porto, comandante da operação, a Polícia Ambiental tem focado em atacar a raiz do problema. “A gente não atua apenas na ostensividade, atua buscando desmantelar organizações e grupos que se unem para fazer condutas ilícitas”, afirmou.
Apreensões e Conduções
Nas residências alvo das buscas, as equipes localizaram ainda cerca de 50 quilos de carne de caça. Todo o material orgânico e bélico recolhido foi catalogado e encaminhado para a Polícia Científica. A perícia será crucial para identificar oficialmente as espécies que estavam na mira do grupo e atestar a letalidade do armamento modificado.
Diante do flagrante da posse de materiais proibidos e do farto armamento, os quatro homens investigados na operação receberam voz de prisão no local e foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. A Polícia Ambiental reforça que a população regional pode e deve continuar denunciando práticas contra a fauna de forma totalmente anônima.


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