PF apura possível interferência de Jorginho Mello em suposto caso de Caixa 2
Governo catarinense nega motivação política na remoção de delegado envolvido no caso.
A Polícia Federal investiga uma suposta interferência do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), em uma apuração que trata de possíveis crimes eleitorais de Caixa 2 ocorridos durante a campanha municipal de 2024 em Lauro Müller, no Sul do estado. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
O caso teve início a partir de um inquérito conduzido pela Polícia Civil que apura suspeitas de caixa dois e compra de votos na eleição que resultou na vitória do atual prefeito Valdir Fontanella (PP). Em março deste ano, o procedimento foi encaminhado à Polícia Federal por envolver possíveis infrações eleitorais e citações ao chefe do Executivo estadual.
Segundo documento enviado à PF pelo delegado regional de Criciúma, Antônio Márcio Campos Neves, o então delegado responsável pelas investigações em Lauro Müller, Flávio Lima e Silva Júnior, teria sido retirado da função após uma suposta articulação política envolvendo o prefeito e o governador.
Ainda de acordo com o delegado, a mudança na chefia da delegacia comprometeria a continuidade das investigações, já que a unidade policial passou a contar com estrutura reduzida, formada apenas pelo novo delegado, um escrivão e uma agente de polícia.
Em nota, o Governo de Santa Catarina contestou qualquer motivação política na transferência do delegado. Conforme a administração estadual, Flávio Lima e Silva Júnior foi promovido por tempo de serviço e assumiu a delegacia da comarca de Orleans, município onde já atuava anteriormente.
O governo também argumentou que impedir a promoção de um servidor que preenche os requisitos legais poderia configurar irregularidade administrativa e até ato de improbidade por parte da gestão pública.
A investigação teve origem em uma denúncia apresentada ao Ministério Público Eleitoral ainda em 2024. Conforme a Folha de S.Paulo, há suspeitas de que empresas ligadas ao prefeito Valdir Fontanella tenham movimentado recursos não declarados à Justiça Eleitoral para financiar sua campanha.
O relato aponta que cheques com valores entre R$ 10 mil e R$ 60 mil teriam sido levados a uma casa lotérica, onde posteriormente os montantes seriam sacados em dinheiro por integrantes da campanha eleitoral.
A Polícia Federal confirmou que conduz a investigação. Até a publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, a Prefeitura de Lauro Müller não havia se manifestado sobre as acusações. O caso segue sob apuração e, até o momento, não há decisão judicial sobre as suspeitas investigadas.
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