“Pixels” traz os personagens dos games dos anos 80 de volta à vida
Se os videogames são capazes de algo é transportar seus jogadores para mundos, universos e realidades distintas.
Se os videogames são capazes de algo é transportar seus jogadores para mundos, universos e realidades distintas. Com o joystick nas mãos, pode-se salvar o mundo, resgatar a princesa ou, nos casos mais recentes, tornar-se o mais perigoso vilão que os games já testemunharam.
A tentadora ideia de transformar a fantasia dos games em realidade é o combustível para "Pixels", filme que entra em cartaz nesta quinta, sob o comando do experiente Chris Columbus, mestre do entretenimento típico do verão norte- mericano.
A história nasceu de um curta-metragem que surgiu online em 2010. O vídeo dirigido por Patrick Jean, com pouco mais de dois minutos de duração, trazia as bases daquilo que Columbus transformou em grandioso, ao lado de um elenco de peso na comédia, com Adam Sandler, Kevin James, Josh Gad, Peter Dinklage.
Ícones dos videogames dos anos 1980, como Pac-Man, Donkey Kong e Space Invaders, destroem a cidade de Nova York – e, posteriormente, o mundo. Há algo de sombrio nesse ataque pixelizado do curta, mas que ganha cores e humor na versão blockbuster.
Columbus recebeu o projeto das mãos de Sandler e levou o roteiro para ler durante um voo até São Francisco. "Não tinha ideia do que era", contou o diretor. "Mas foi a melhor coisa que li em, digamos, uns cinco anos." O diretor soube falar com o público jovem durante os anos 1980, com seus textos em "Os Goonies" e "Gremlins". Em Pixels que, de novo, ele está falando com os mesmos rapazes daquela época, hoje 30 anos mais velhos e com os próprios filhos. Na telona, os clássicos dos fliperamas só ajudam a amolecer os fãs com doses de nostalgia.
No filme, o personagem conhecido no Brasil como Come-Come é um vilão. Ou melhor, um dos guerreiros enviados por uma raça alienígena na tentativa de invadir o planeta. Se Pac-Man fosse um game atual, uma mudança de lado, dos mocinhos para os bandidos, seria mais comum.
Os videogames de última geração, como Playstation 4 e Xbox One, apresentam personagens complexos e tramas cada vez mais cinematográficas e não dicotômicas. Exatamente o oposto de quando os games surgiram há mais de três décadas. "Os jogos dos anos 80 eram divertidos de assistir, mesmo que fossem um monte de triângulos e círculos na tela. Era algo bem mais amigável", conta Adam Sandler, protagonista do longa. Ele garante que as crianças, seus filhos inclusive, conhecem personagens como Pac-Man e Donkey Kong, mesmo que não tenham experimentado os jogos originais.
Nas aventuras de Columbus, os heróis são garotos ordinários, aqueles rapazes que não estão no time de futebol americano ou entre os mais populares da escola. Em "Pixels", eles cresceram, mas continuam os mesmos desajustados que Columbus tanto gosta. Sandler interpreta um garoto craque dos games que se transforma em um instalador de equipamentos de áudio e vídeo. O personagem de Gab ainda mora com a avó, é apaixonado por uma personagem dos games e nutre um apreço exagerado pelas teorias da conspiração. Dinklage vive um nerd criminoso e James é o mais bem-sucedido do quarteto de heróis improváveis. Conseguiu ser presidente dos Estados Unidos, embora já não seja tão popular.
"É um filme sobre um grupo de homens com uma habilidade inútil", diz James. "Mas que agora são recrutados para salvar o mundo." Gab concorda: "É possível se identificar um cara comum. Não é preciso usar uma roupa apertada para salvar o mundo". É a vez dos desajustados – de novo.
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