Professores de Joaçaba denunciam defasagem salarial de 33% e falta de especialistas
Segundo os representantes da categoria, Joaçaba possui hoje a segunda pior remuneração entre os municípios da AMMOC.
Os professores da rede municipal de Joaçaba decidiram levar a público uma situação de crise que afeta a valorização do magistério e o atendimento aos alunos. Em reunião com a Câmara de Vereadores na noite desta quinta-feira (16), a categoria expôs a indignação com a defasagem salarial e as condições de trabalho que têm provocado uma debandada de profissionais para cidades vizinhas e para a rede estadual.
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Segundo os representantes da categoria, Joaçaba possui hoje a segunda pior remuneração entre os municípios da AMMOC. Atualmente, o vencimento base é de R$ 3.606,83, valor que recebe uma complementação para atingir o piso nacional de 2022 (R$ 3.845,63). No entanto, o piso nacional vigente para 2026 é de R$ 5.130,63, o que representa uma desvalorização acumulada de 33,4%.
Impactos na Educação Especial e rotatividade
A baixa remuneração já reflete diretamente na sala de aula. Os professores relatam que alunos da Educação Especial estão sem profissionais especializados, sendo atendidos, em muitos casos, por estagiários de ensino médio ou profissionais de outras áreas.
“A falta de professores não é por falta de profissionais no mercado, mas pela falta de respeito da gestão. Muitos pedem exoneração ou saem do município para atuar onde a remuneração é digna e onde a Hora-Atividade é respeitada”, afirmam os docentes em nota. Essa rotatividade prejudica a continuidade pedagógica e ameaça os índices de qualidade (IDEB) que a própria Secretaria de Educação cobra.
Questionamentos à Administração
Os professores questionam os gastos da prefeitura com capacitações, assessorias e a compra de materiais — citando um gasto de mais de R$ 1 milhão em material considerado de qualidade inferior — enquanto o salário segue congelado.
Diferente do que foi alegado pela Secretaria de Educação em ofício no dia 15 de abril, os vereadores sinalizaram que a educação possui orçamento exclusivo e que há, sim, viabilidade para uma revisão orçamentária, bastando vontade política e equilíbrio na gestão das contas.
A categoria espera que a administração municipal saia das promessas e apresente uma solução concreta para evitar que o ensino de Joaçaba, hoje referência estadual e nacional, sofra uma queda irreversível na qualidade por falta de valorização de seus profissionais.
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