RS testa biocombustível que substitui 100% do diesel
Passo Fundo (RS) substitui diesel fóssil de sua frota por novo biocombustível nacional. Alternativa reduz emissões e não exige adaptação nos motores.
A prefeitura de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, começou a substituir o diesel fóssil de sua frota municipal por um novo biocombustível nacional. A transição, implementada após a aprovação do produto no fim de 2024, tem como objetivo blindar o município gaúcho contra a alta global nos preços do petróleo e reduzir drasticamente as emissões de carbono.
Desenvolvido pela empresa Be8, o novo combustível foi batizado de BeVant e é produzido a partir de matérias-primas como soja, gorduras animais e óleos usados. Diferente do biodiesel tradicional — que por lei é apenas adicionado ao diesel em uma proporção de 15% —, a nova alternativa foi projetada para substituir o derivado de petróleo de forma integral. A grande vantagem é que o produto pode ser utilizado em qualquer motor a diesel comum, sem exigir adaptações mecânicas nos veículos.
A iniciativa ganha relevância diante do temor de escassez e do encarecimento do combustível no Brasil, motivados pelos crescentes conflitos no Oriente Médio. O prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida, ressalta que a adoção de uma alternativa de energia limpa e produzida localmente traz segurança para a operação da cidade e representa um forte diferencial competitivo.
Nesta primeira fase do projeto, 17 veículos da frota pública, incluindo caminhões, retroescavadeiras e um micro-ônibus, já operam com o biocombustível, demandando cerca de 10 mil litros por mês. Embora o custo atual do BeVant seja cerca de 15% maior que o do biodiesel comum, ele é consideravelmente mais barato que outras opções verdes do mercado. A prefeitura confia que os valores cairão à medida que a produção ganhar escala.
O cenário é promissor para a expansão da tecnologia na região Sul. A meta inicial da fabricante é produzir 28 milhões de litros do novo combustível por ano na unidade de Passo Fundo. Como o Brasil ainda importa cerca de 25% de todo o diesel que consome, e com a expectativa de uma safra recorde de soja, o setor aposta na autossuficiência energética para baratear e descarbonizar o transporte nacional.
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