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Brasil e Mundo

TikTok tem 5 dias para explicar vídeos contra mulheres

Ministério da Justiça exige explicações do TikTok sobre vídeos que incitam agressões contra mulheres. Entenda as exigências.

Éder Luiz

Éder Luiz

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O Ministério da Justiça determinou nesta terça-feira (10) que o TikTok explique, em até cinco dias, a circulação de vídeos em que homens simulam agressões físicas contra mulheres que recusam pedidos de namoro no Brasil. A medida rigorosa do governo federal busca estancar a apologia ao crime na internet, em meio a um cenário alarmante de assassinatos de mulheres no país.

A Polícia Federal já assumiu o caso, abrindo uma investigação oficial e derrubando perfis envolvidos na tendência digital conhecida como “treinando caso ela diga não”. Para as autoridades, a rede social falhou gravemente e não deve apenas esperar ordens policiais para agir, tendo o dever de bloquear proativamente qualquer conteúdo que incentive o ódio.

O governo exige agora que a empresa detalhe como funcionam seus filtros de segurança tecnológica. O objetivo principal é descobrir se o algoritmo da plataforma impulsionou essas cenas de socos e golpes de faca para milhares de usuários, e se os criadores desses vídeos receberam dinheiro ou patrocínio pelas visualizações.

Resposta da plataforma e moderação

A direção do TikTok afirmou que mantém colaboração total com a polícia e que iniciou a exclusão dos vídeos violentos ainda no último fim de semana, de forma voluntária. Segundo a empresa, grande parte do material criminoso já havia sido apagada de seus servidores antes mesmo de a Polícia Federal enviar a lista oficial de links investigados.

Em nota oficial, a rede social destacou que esse tipo de publicação viola diretamente as regras da comunidade e que não tolera a promoção de discursos ou ideologias de ódio. A companhia garantiu que suas equipes de moderação seguem monitorando o aplicativo para impedir que novas postagens semelhantes retornem aos celulares dos usuários.

A onda de vídeos criminosos ganhou força nas últimas semanas. Nas gravações, que acumulam mais de 175 mil interações, usuários encenam situações românticas e, logo após a legenda sugerindo uma rejeição feminina, simulam ataques furiosos contra a câmera ou objetos ao redor, normalizando o comportamento agressor.

Alerta para a violência real

A banalização desses ataques no ambiente virtual reflete uma realidade trágica e perigosa fora das telas. Apenas no último ano, o Brasil bateu um novo e sombrio recorde de feminicídios, com 1.470 mulheres assassinadas de forma covarde simplesmente por sua condição de gênero.

Essa estatística trágica representa uma média de quatro mortes diárias, superando os números do ano anterior. O cenário acende um alerta máximo para as forças de segurança física e digital de todos os estados, exigindo que redes de proteção em Santa Catarina e no resto do país dobrem a vigilância contra comportamentos misóginos.

O formato padronizado do aplicativo chinês facilitou a cópia e a viralização rápida dessa ameaça. Embora a tendência criminal tenha explodido de forma assustadora nas últimas semanas, publicações com essa mesma dinâmica perigosa conseguiram driblar os sistemas de proteção e circular pela internet desde pelo menos 2023.


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