Vítima que foi assaltada por menores em Treze Tílias relata momentos de terror
A noite do último domingo, 02, não sairá tão fácil da lembrança do Dr.
A noite do último domingo, 02, não sairá tão fácil da lembrança do Dr.Léo Gonçalves, 72 anos, e de sua esposa, a professora Sheila Arndt Gonçalves. Eles tiveram a casa que fica no Centro de Treze Tílias invadida por dois assaltantes, menores de idade, e passaram momentos de terror nas mãos dos bandidos, que estavam armado com facas e revólveres. Por telefone, a professora relatou ao Portal Éder Luiz todos os detalhes da ação dos criminosos e como o marido, em atitude heroica, conseguiu pular do segundo andar da casa e chamar por socorro. Por conta da queda o Dr. Léo sofreu uma fratura de vértebra e está imobilizado na região, utilizando um colete cervical. Confira na galeria abaixo desta reportagem o áudio completo com a entrevista da professora Sheila.
Depois deste crime a polícia suspeita que os menores cometeram pelo menos mais dois assaltos na região, outro em Treze Tílias e mais um em Capinzal. Cercos estão acontecendo na região na tentativa de localizar os dois, de 15 e 16 anos, que seriam foragidos do Casep de Curitibanos. Na manhã desta quarta-feira, 05, um deles, que tem o apelido de Índio, foi visto por patrulhas da Polícia Rodoviária Federal na BR-282 em Joaçaba, quando pilotava uma motocicleta. A Polícia Militar foi acionada e juntamente com a PRF foram feitas buscas, mas mais uma vez o menor conseguiu fugir.
Enquanto os dois estiverem foragidos o clima é de insegurança e medo, pois já se sabe do que são capazes, como relatou a professora Sheila.
Segundo ela, o assalto em sua casa aconteceu no dia em que comemorava aniversário e pouco depois que os últimos amigos deixaram a residência. “Quando bateram na porta meu marido foi atender e o rapaz pediu onde morava um tal de Carlos, mas meu marido disse que não era ali. O rapaz pediu então um copo d´água e quando entregou ele jogou o copo de água no rosto do meu marido e anunciou o assalto. Meu marido me chamou e quando fui já vi eles segurando ele”.
Depois disso os bandidos começaram a vasculhar a casa e demonstraram que já conheciam o local. A família desconfia que um dos menores já havia estado no local antes.
“Eles nos trouxeram até a sala onde um deles sentou no sofá, sem capuz, com a arma apontada pra nós. O outro foi direto para a parte de cima da casa como se conhecesse, agora nós soubemos que conhecia sim. O outro ficou ameaçando, mostrava a arma e perguntava – você sabe o que é isso? Sabe o que isso aqui faz? Depois pegou os dois celulares que estavam perto e desligava a cada vez que chama e eu dizia que era meu aniversário e estavam tentando me ligar”.
Vida bandida
Durante o tempo em que os bandidos estiveram na casa as vítimas tentaram manter a calma. Sheila relata que até conversou com o bandido que os mantinha sob a arma do revólver.
“Tentei conversar com ele e me disse que era filho de pai bandido, filho de mãe que o abandonou, que o pai era isso, que a mãe era aquilo e que a vida dele era isso”.
Depois disso os dois começaram então a abusar da violência.
“Quando o outro voltou do andar de cima, ai sim, com a maior violência, começou a dar chutes no meu marido, bateu nele com a faca e mandou a gente abrir o cofre, mas não temos nada no cofre além de documentos. Como não lidamos com o cofre não conseguíamos mais abrir e ai ele batia no meu marido”.
Fuga pulando de dois andares
Para escapar do pavor o Dr. Leo teve um ato heroico e arriscado, pulando de aproximadamente 5 metros, o que o deixou ferido. Segundo Sheila, tudo aconteceu muito rápido.
“Meu marido já teve problema cardíaco e quando isso aconteceu ele ficou encharcado de suor. Quando eu vi ele molhado não sabia que tinham jogado um copo d´água nele e achei que era suor. Quando vi ele assim e todo ofegante na frente do cofre tentando abrir e não conseguindo, falei para eles que meu marido estava mal e que tinha problemas cardíacos e que precisava de ar. Nisso ele disse que precisava de ar, foi a deixa que ele achou. Disse que só raciocinou isso, eu só posso fazer alguma coisa se eu for pra sacada. Ele foi pra sacada, abriu só um pedaço da veneziana. Eu até imaginei que ele pudesse gritar por socorro, o que eu não pensei é que ele fosse pular para pedir por socorro. Ele pulou de uma altura de 5 metros , por que ele nem chegou a por o pé na sacada, ele tem 72 anos e pulou do chão subiu e foi cair na calçada embaixo, talvez se tivesse caído na grama não se machucasse tanto. Ele deu um grito antes de cair, pedindo por socorro e lá de baixo não conseguia muito, mas eu saí correndo atrás, esqueci que tinha faca nas minhas costas e aproveitei e gritei por socorro para toda a vizinhança e todos abriram as janelas para ver o que estava acontecendo. Eu gritei muito, nem eu sabia que podia gritar tanto”. Sheila disse ainda que quando saiu trancou a porta da sacada e depois disso não viu mais os bandidos.
Apelo por mudanças nas leis e por mais segurança em Treze Tílias
Depois de tudo o que passou a professora Sheila apela para as autoridades por dois pontos fundamentais, a redução da maior idade penal e o aumento do efetivo da polícia em Treze Tílias.
“Além do pavor da gente, nós temos que nós preocupar com todo mundo, eles podem ir em outros lugares e espalhar o mesmo terror. Então estamos precisando rever imediatamente, é um apelo, rever a faixa etária da criminalidade. Já passou duas, três vezes pela polícia é marginal, não é mais menor triste abandonado. Se um deles tem mais de 60 passagens pela polícia o que que é isso. Vou cobrar, não por mim, mas por toda a comunidade de Treze Tílias, que a minha cidade tenha maior policiamento. Dois policiais, um de dia e outro de noite é brincadeira. Não temos um momento de queixa perante as instituições, por que vieram policiais de toda a região, mas é impossível eles fazerem milagre. Creio que está na hora de mudanças na segurança e nas leis”. Concluiu.
Clique no play e ouça a entrevista completa
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