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Meio Ambiente

Queda da 4ª maior araucária do Brasil em SC vira esperança para clonagem da espécie

Araucária gigante de 44 metros caiu em Caçador (SC). Pesquisadores da Embrapa iniciam corrida contra o tempo para clonar a árvore.

Pedro Silva

Pedro Silva

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A frase “na natureza nada se perde, tudo se transforma” nunca fez tanto sentido para a preservação ambiental no Sul do país. A recente queda de uma das maiores araucárias do Brasil, localizada na Estação Experimental da Embrapa em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina, transformou uma perda irreparável em uma corrida contra o tempo para a ciência.

O gigante de 44 metros de altura — o quarto maior da espécie já documentado no Brasil — havia sido visto em pé pela última vez em novembro de 2025. Pesquisadores acreditam que a árvore cedeu devido ao tempo nas últimas semanas.

Foto: Kátia Picheli

Queda facilita a clonagem e pesquisa

Apesar da tristeza pela queda do “Pinheirão”, o fato abriu uma janela única de oportunidade para os pesquisadores da Embrapa e da Epagri.

Enquanto estava em pé, era impossível coletar material genético da árvore para estudos. As brotações necessárias ficavam no topo da copa, a mais de 40 metros de altura. O tronco da araucária era oco, o que tornava qualquer tentativa de escalada extremamente perigosa e inviável.

Com o tombamento do gigante, os pesquisadores conseguiram finalmente acessar os galhos. “O ideal é que a coleta deste tipo de material seja feita de cinco a dez dias após a queda. No entanto, a equipe observou brotações ainda viáveis”, explicou o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas. O material foi rapidamente levado para o laboratório e enxertado. A equipe aguarda agora um prazo de cerca de 100 dias para saber se a tentativa de clonagem foi bem-sucedida.

Foto: Kátia Picheli

Idade do gigante será revelada

A altura média de uma araucária varia entre 25 e 30 metros. O “Pinheirão” de Caçador chegava a impressionantes 44 metros. Estudar o DNA dessa árvore é fundamental para entender o que faz essas “gigantes” crescerem muito acima da média e como preservá-las no futuro.

Além da clonagem, a queda finalmente permitirá que os cientistas descubram a idade da árvore. Como o tronco era oco na base, os métodos tradicionais falhavam. Agora, discos do tronco serão coletados em uma área mais alta e preservada para a contagem dos anéis de crescimento. (Para se ter uma ideia, Santa Catarina abriga outra araucária gigante em São Joaquim, de 42 metros, que tem a idade estimada entre 600 e 900 anos).

Mesmo caída, a imponente araucária de Caçador continuará viva através da ciência e do conhecimento que deixará para as futuras gerações.

Fonte: G1 SC


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