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Operações Policiais
Operação investiga desvio milionário em hospital do RS e cumpre mandados em SC
A Operação apura fraudes e desvios de R$ 5 milhões na Santa Casa de Uruguaiana (RS). Mandados de busca foram cumpridos em SC.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Santa Catarina cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú na manhã desta quarta-feira (07). A ação faz parte da Operação “Ouro de Tolo”, liderada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que investiga o desvio de mais de R$ 5 milhões da Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, importante hospital da Fronteira Oeste gaúcha.
Ao todo, a força-tarefa cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Onze pessoas físicas estão entre os alvos, incluindo ex-secretários, gestores e empresários que mantinham negócios com a instituição. Os crimes apurados incluem peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa.
Contratos milionários e conflito de interesses
A investigação, que foca no período entre 2019 e 2024, aponta um salto injustificado nas despesas do hospital. Os gastos com serviços de terceiros subiram de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 13,7 milhões em 2024. No mesmo intervalo, houve um aumento de 165% nas despesas com honorários médicos.
Um dos principais alvos da apuração são os contratos de consultoria e tecnologia, que somaram mais de R$ 5 milhões apenas entre 2023 e 2024, período em que a Santa Casa já enfrentava uma grave crise financeira e assistencial. O MPRS descobriu que empresas beneficiadas pelos pagamentos milionários tinham vínculos estreitos com pessoas que exerciam forte influência sobre a gestão financeira do hospital.
Há indícios de superfaturamento, serviços terceirizados pagos que não foram efetivamente prestados e a supressão ou destruição de documentos importantes para tentar acobertar as irregularidades.
Gestão atual não tem envolvimento
O promotor de Justiça João Afonso Beltrame, responsável pelo caso, ressaltou que as fraudes ocorreram em gestões passadas. “Neste primeiro momento, não há nenhuma indicação de participação da atual gestão nas fraudes investigadas pelo GAECO. A investigação apura fatos pretéritos e seguirá avançando. Com as provas coletadas hoje, temos convicção de que chegaremos a todos os envolvidos”, garantiu o promotor. O caso segue em sigilo.
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