Menu
Cientistas declaram início do El Niño, que pode causar calor recorde em 2024
Foto: NOAA/Reprodução/ND
Brasil e Mundo

Cientistas declaram início do El Niño, que pode causar calor recorde em 2024

Fenômeno pode resultar em chuvas acima da média em Santa Catarina.

Cientistas declaram início do El Niño, que pode causar calor recorde em 2024
Foto: NOAA/Reprodução/ND

Compartilhe:

Cientistas dos EUA declaram o início do El Niño nesta quinta-feira (8). Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), as condições de oceanos e atmosfera que caracterizam o fenômeno climático se confirmaram, e abrem caminho para possíveis recordes de temperatura em 2024.

O El Niño é marcado por um aquecimento acima da média no oceano Pacífico, perto da linha do Equador. Ele muda a circulação dos ventos alísios, que vão de leste a oeste, levando umidade e águas mais quentes da costa das Américas para Ásia e Oceania. Apesar de acontecer no Pacífico, seus efeitos alcançam outras regiões do planeta. A Austrália, que sofre com incêndios florestais, já emitiu nesta semana um alerta de aumento de temperaturas.

Receba as notícias em seu celular! Entre em nossa comunidade no WhatsApp – Clique Aqui!

As alterações vão das mais perceptíveis, como a elevação geral de temperaturas, aumento de chuvas ou seca em diferentes regiões, branqueamento de corais, a danos à economia. Um exemplo é o impacto na falta de chuvas, que prejudica safras. Outro é na atividade pesqueira. Isso porque, com o deslocamento normal das águas quentes para o oeste, águas mais profundas e frias "sobem".

Esse movimento é chamado de ressurgência, que renova nutrientes e é fundamental para a fauna marinha na costa da América do Sul. Com o El Niño, isso não acontece.As perdas previstas para este ano por causa dos efeitos do fenômeno estão estimadas em 3 trilhões de dólares, cerca de R$ 14,76 trilhões. O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022, para comparação, foi de R$ 9,9 trilhões.

O El Niño ocorre a cada dois ou sete anos, e é um fenômeno antigo, com referências desde o século 19, e não tem relação com a atividade humana. Mas está associado, por exemplo, a recordes de temperatura.Um dos principais marcos recentes foi a seca extrema entre 2015 e 2016, associada a um "super El Niño", que provocou a maior queimada registrada na Amazônia em Roraima. Em poucas semanas, o estado perdeu 14 mil km² de floresta.

Efeitos no Brasil

No Brasil, os efeitos mais comuns são mais chance de seca no Norte e no Nordeste. As mudanças climáticas, por sua vez, acrescentam uma preocupação extra ao cenário dos próximos meses por tornarem ambientes como a Amazônia mais suscetíveis a esses grandes incêndios, que podem degradar a floresta para além do desmatamento.

Já no Sul, o El Niño altera a circulação de ventos, que formam uma barreira e impedem que as frentes frias vindas do hemisfério sul circulem pelo país. Como permanecem mais tempo sobre a região, aumentam a frequência de chuvas fortes ali.

O comunicado da NOAA não fala em um El Niño extremo como o de oito anos atrás, mas as probabilidades são de 84% para moderado e 56% para forte no começo do inverno no hemisfério norte, em dezembro.

Efeitos em SC

A Defesa Civil de Santa Catarina alertou, na quinta-feira da última semana, que o aquecimento das águas do oceano Pacífico Equatorial era sinal do El Niño. Com isso, Santa Catarina pode contar com chuva acima da média em julho e agosto, especialmente devido o fenômeno climático.

Segundo a climatologia, a chuva média nesses meses é a menor do ano em, especialmente nas áreas litorâneas, Vale do Itajaí e norte do Estado, com valores mensais variando de 90 a 130 mm. Já nas cidades do Grande Oeste e Planalto Sul, a precipitação oscila de 110 a 180 mm.


Compartilhe: