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© Divulgação/Porto de Santos
Brasil e Mundo

Governo lança Brasil Soberano 3 com R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Nova etapa do programa amplia crédito para exportadores e setores estratégicos.

Luan

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O governo federal anunciou nesta quarta-feira (30) a terceira etapa do Plano Brasil Soberano, iniciativa criada para reduzir os impactos das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o tarifaço, e fortalecer a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional. Batizado de Brasil Soberano 3, o programa disponibilizará R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito voltadas a exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo norte-americano sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida poderá atingir aproximadamente 15% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a cerca de US$ 5,8 bilhões em vendas.

Crédito com juros reduzidos

Para viabilizar a nova etapa do programa contra o tarifaço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que amplia os mecanismos de financiamento, permitindo a utilização conjunta de recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além disso, foi sancionado o Projeto de Lei de Conversão que transforma em lei as linhas de financiamento previstas anteriormente pelo Plano Brasil Soberano, ampliando o número de setores beneficiados.

Dos R$ 18,5 bilhões previstos para esta etapa, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES.

Os recursos poderão ser utilizados para diversas finalidades, entre elas:

  • capital de giro;
  • compra de máquinas e equipamentos;
  • investimentos em expansão produtiva;
  • inovação tecnológica;
  • adaptação de processos industriais;
  • desenvolvimento de novos produtos;
  • abertura de mercados internacionais.

As taxas de financiamento variam conforme a finalidade dos projetos, podendo chegar a 3% ao ano para investimentos em minerais críticos e 9,8% ao ano para operações de capital de giro destinadas a grandes empresas.

Programa amplia público beneficiado

Inicialmente criado para atender empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço norte-americano, o Brasil Soberano agora passa a contemplar também setores afetados por conflitos internacionais e novas restrições comerciais.

Entre os segmentos incluídos estão:

  • agricultura e pecuária;
  • florestas plantadas;
  • pesca e aquicultura;
  • cooperativas e associações rurais;
  • mineração;
  • indústria química;
  • setor farmacêutico;
  • indústria têxtil;
  • setor automotivo;
  • fabricantes de máquinas e equipamentos;
  • materiais elétricos e eletrônicos;
  • fertilizantes.

Outra novidade é a possibilidade de utilização dos recursos para adequação às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas pelo comércio internacional.

Seguro para pequenas empresas

Durante o lançamento do programa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, destacou que a iniciativa não se limita à oferta de crédito.

Segundo ele, o Brasil Soberano 3 também prevê mecanismos de garantia para facilitar o acesso das pequenas empresas ao financiamento.

“O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas”, afirmou.

O plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e posteriormente analisado por um conselho interministerial, responsável por definir as prioridades de investimento conforme os impactos enfrentados por cada setor econômico.

Setores mais afetados

Conforme o Ministério do Desenvolvimento, alguns segmentos têm sentido de forma mais intensa os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Entre eles estão:

  • indústria moveleira;
  • setor madeireiro;
  • fabricantes de produtos cerâmicos;
  • máquinas e equipamentos;
  • calçados;
  • produção de açúcar.

O governo também informou que pretende utilizar o programa para atender empresas que eventualmente sejam atingidas por novas medidas protecionistas em discussão no mercado norte-americano.

Governo mantém aposta na negociação

Apesar do reforço financeiro anunciado, o governo brasileiro afirma que continua priorizando a via diplomática para tentar reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Segundo integrantes da equipe econômica, houve negociações com representantes da Casa Branca até os dias que antecederam a entrada em vigor das novas medidas, mas não houve acordo.

Na véspera do lançamento do programa, Geraldo Alckmin voltou a descartar uma resposta imediata baseada em retaliações comerciais.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, declarou.

Criado em 2025, o Plano Brasil Soberano vem sendo ampliado conforme o avanço das restrições comerciais enfrentadas pelas exportações brasileiras.

As três fases do programa somam:

  • Brasil Soberano 1 (agosto de 2025): R$ 30 bilhões;
  • Brasil Soberano 2 (março de 2026): R$ 21 bilhões;
  • Brasil Soberano 3 (julho de 2026): R$ 18,5 bilhões.

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