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Pais levam multa de R$ 936 mil por não vacinar filhos em SC
1 de 1 Pais são multados em quase R$ 1 milhão por não vacinar os três filhos em SC — Foto: Redes sociais/Reprodução
Saúde

Pais levam multa de R$ 936 mil por não vacinar filhos em SC

Justiça de Santa Catarina cobrou R$ 500 por dia e por criança; casal deve regularizar as vacinas em 45 dias

Pais levam multa de R$ 936 mil por não vacinar filhos em SC
1 de 1 Pais são multados em quase R$ 1 milhão por não vacinar os três filhos em SC — Foto: Redes sociais/Reprodução

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A Justiça de Santa Catarina multou um casal em R$ 936.467,64 por não vacinação infantil, em decisão ligada à comarca de Ituporanga, no Vale do Itajaí. A cobrança soma R$ 500 por dia e por criança e pode ser executada após pedido do Ministério Público de Santa Catarina.

O caso começou em fevereiro de 2024, depois que órgãos de fiscalização encontraram as cadernetas das três crianças sem registro de vacina. O processo correu na comarca de Ituporanga e a sentença foi divulgada em 26 de junho de 2024.

Multa acumulada

O Ministério Público de Santa Catarina pediu que a dívida passasse a ser cobrada na última quarta-feira (10) e quer a intimação imediata dos pais para pagamento do valor total no prazo legal de 15 dias. Se o casal não quitar o débito voluntariamente, o órgão também pediu nova multa de 10% sobre o total e o início de medidas para confiscar bens, com bloqueio de contas bancárias e recolhimento de patrimônio.

A penalidade diária ficou em R$ 500 por dia e por criança. Pelo descumprimento prolongado da ordem judicial, o valor chegou a R$ 312.155,88 por filho.

O que disse a defesa

Heins Hackbarth Junior, pai das crianças, publicou um vídeo nas redes sociais e disse que o valor cobrado é “desproporcional aos rendimentos da família”. Em nota enviada ao g1, afirmou que a situação coloca a família “em situação de extrema vulnerabilidade, com vários direitos negligenciados, entre eles, a liberdade de consciência, o direito de recusa, o poder familiar e o direito da livre escolha do médico de confiança”.

Na defesa apresentada ao processo, os pais disseram que interromperam as vacinas depois que um dos filhos teve uma reação severa aos 6 meses de vida. Hoje ele tem 9 anos. Segundo eles, a criança teve febre alta e fraqueza extrema e quase morreu. Por isso, suspenderam as doses seguintes desse filho e também o plano vacinal dos dois mais novos.

O que decidiu a Justiça

A Justiça mandou fazer uma perícia médica. A especialista em alergologia e imunologia concluiu que o episódio não foi anafilaxia, mas um Episódio Hipotônico-Hiporresponsivo (EHH), evento adverso raro, de curta duração, sem sequelas neurológicas e que não impede a continuidade do calendário vacinal. No processo, ela afirmou que não há evidência científica nem contraindicação médica para privar as três crianças do plano vacinal.

Na sentença a que o g1 teve acesso, o juiz Eduardo Felipe Nardelli reforçou que a vacinação infantil é obrigatória no Brasil, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal. Ele disse ainda que o direito à saúde e à vida protetiva dos filhos menores tem “absoluta prioridade” sobre o poder familiar e sobre a liberdade de convicção ou planejamento dos pais.

O casal recorreu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mas a decisão foi mantida. O juiz também determinou que, quando os pais levarem o filho mais velho ao posto de saúde para atualizar o esquema vacinal, a pentavalente comum seja trocada pela DTPa (acelular), por precaução e segurança, já que a criança apresentou sensibilidade à vacina anterior.

A Secretaria de Estado da Saúde recomenda que as famílias verifiquem a caderneta e procurem a unidade mais próxima para atualizar as doses em atraso. A vacinação infantil é gratuita e está disponível em todas as unidades de saúde. Arieli Fialho, gerente de Imunização da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, disse que as vacinas ajudam a prevenir surtos, internações e mortes e também protegem pessoas que não podem ser imunizadas, como imunossuprimidos.

Foto de Éder Luiz

Éder Luiz

Com 30 anos de experiência na comunicação, Éder Luiz construiu uma carreira sólida nas principais rádios, jornais e emissoras de TV do sul e do Brasil, tornando-se uma referência no jornalismo regional. Em 2010, fundou o Portal Éder Luiz Notícias.


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