El Niño deve estar entre os mais fortes já registrados e ter pico em 2027
Fenômeno tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
O El Niño que está se formando em 2026 pode alcançar uma intensidade rara e ficar entre os eventos mais fortes já observados desde o início dos registros científicos, na década de 1950. A avaliação é baseada no último relatório do Centro de Previsões Climáticas (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Segundo o levantamento, existe 81% de probabilidade de que o fenômeno seja classificado como muito forte entre outubro e dezembro deste ano. Especialistas alertam que os efeitos não devem se limitar a 2026 e podem continuar ao longo de 2027, com possibilidade de impactos ainda mais significativos no próximo ano.
O professor Ángel Adames, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, afirmou à BBC News Mundo que a combinação de fatores observada neste ano contribuiu para uma intensificação pouco comum do fenômeno.
O El Niño ocorre principalmente a partir do aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Entre os fatores que influenciam sua intensidade está o comportamento dos ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais quentes em direção ao oeste do oceano.
Quando esses ventos perdem força, o processo de subida das águas frias próximo às costas do Peru e do Equador diminui. Com isso, águas mais quentes permanecem na superfície e contribuem para o fortalecimento do fenômeno.
Impactos diferentes pela América Latina
Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões. Na faixa do Pacífico, principalmente no Peru e no Equador, o chamado El Niño costeiro pode provocar episódios de chuva muito intensa, enchentes e deslizamentos. As alterações na temperatura do oceano também prejudicam a atividade pesqueira, importante para a economia desses países.
Em áreas do Peru e da Bolívia, assim como na Colômbia, Venezuela e no Norte do Brasil, a tendência pode ser de redução das chuvas e períodos de seca mais severos. A menor disponibilidade de água também pode diminuir a vazão dos rios e afetar a geração de energia hidrelétrica.
Já no Sul do continente, o comportamento costuma ser diferente. Sul do Brasil, Uruguai, Paraguai, norte da Argentina e Chile podem registrar aumento das chuvas, cenário que pode favorecer as atividades agrícolas.
O excesso de precipitação, entretanto, também representa um risco. Grandes volumes em curto período podem provocar enchentes, alagamentos e deslizamentos, como ocorreu durante episódios de El Niño de forte intensidade no passado.
Sul do Brasil pode ter mais temporais
No território brasileiro, os efeitos do fenômeno também devem variar conforme a região. Para o Sul, a presença do El Niño aumenta a possibilidade de períodos mais chuvosos e de episódios de tempo severo.
A previsão climática aponta maior frequência de chuvas intensas, temporais, rajadas de vento, granizo e alagamentos, especialmente durante os períodos de maior atuação das instabilidades.
Esse cenário merece atenção em Santa Catarina, onde eventos de chuva volumosa podem provocar transtornos principalmente nas regiões Oeste e Meio-Oeste, além de outras áreas do estado.
No Sudeste e no Centro-Oeste, por outro lado, a influência do fenômeno tende a favorecer temperaturas acima da média e períodos de baixa umidade. No Norte e Nordeste, a redução das chuvas pode aumentar a ocorrência de secas e, consequentemente, o risco de queimadas.
Efeitos podem continuar em 2027
Os especialistas ressaltam que o El Niño não deve ser analisado apenas como um fenômeno de curta duração. Caso a intensidade prevista se confirme, seus efeitos sobre os padrões de chuva e temperatura podem permanecer por vários meses.
A avaliação atual indica que 2027 também poderá ser marcado por eventos climáticos extremos, com diferentes regiões do continente enfrentando cenários de excesso ou falta de chuva, além de períodos de calor mais intenso.
Por enquanto, os meteorologistas acompanham a evolução das temperaturas do Pacífico e dos demais fatores atmosféricos que determinam a força do fenômeno. A intensidade definitiva do El Niño e seus impactos dependerão da evolução dessas condições nos próximos meses.
Nos siga no
Google News












