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A diretora geral, Lindamir Secchi Gadler apresentou os números durante o encontro.
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HUST: O gigante que atende toda a região e opera no limite da capacidade

Diretoria expõe números impressionantes que mostram a realidade do maior hospital da região

Éder Luiz

Éder Luiz

A diretora geral, Lindamir Secchi Gadler apresentou os números durante o encontro.

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O Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST) caminha para celebrar seus 80 anos de fundação em 2026 sustentando duas realidades que, diariamente, entram em choque nos corredores da instituição: a de ser um gigante da medicina que atende a uma população imensa, e a de operar no limite da exaustão estrutural e financeira.

Na manhã desta sexta-feira (29), a direção do HUST convocou a imprensa regional para um encontro. Mais do que uma prestação de contas, a reunião soou como um enfático grito de socorro direcionado, principalmente, aos gestores públicos da região.

Um gigante que não dorme

A dimensão da operação do hospital de Joaçaba impressiona. Oficialmente, a área de influência abrange 55 municípios. Na prática, o HUST chega a receber pacientes de 100 municípios todos os meses, estendendo seus braços desde o litoral até o Extremo Oeste de Santa Catarina.

A engrenagem que mantém essa estrutura rodando 24 horas por dia não é simples. São 850 colaboradores ativos e um corpo clínico formado por 153 médicos. Juntos, eles gerenciam 218 leitos (sendo 94% deles destinados exclusivamente ao Sistema Único de Saúde – SUS). Os bastidores dessa operação revelam números industriais: a cozinha serve 75.000 refeições por mês e a lavanderia processa cerca de 45 toneladas de roupas no mesmo período.

O peso regional do HUST fica evidente na divisão de responsabilidades. Em um raio de até 30 km, a atuação foca em rotina e urgências; entre 30 km e 60 km, o hospital absorve a média complexidade; e no raio de 60 km a 90 km, consolida-se como a grande referência em alta complexidade.

O protagonismo é absoluto: analisando os 21 municípios mais próximos, seis hospitais concentram 80% das internações SUS. Deste bolo, o HUST lidera isolado com 25% da demanda (seguido de longe pelo Hospital São Francisco, de Concórdia, com 13%, e pelo Maicé, de Caçador, com 12%). O hospital de Joaçaba centraliza, sozinho, 63% das internações de Alta Complexidade da região.

A conta da ineficiência regional “estoura” na emergência

Apesar de toda a capacidade instalada (que rendeu um total de 11.137 cirurgias gerais em 2025), o hospital vive um gargalo crítico. A diretora geral, Lindamir Secchi Gadler, fez um alerta grave sobre a superlotação, evidenciada pela falta de oito leitos de UTI na manhã desta sexta-feira.

O diagnóstico da direção é claro: a saúde básica e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos municípios vizinhos não estão sendo resolutivas. Casos que deveriam ser tratados nos postos de saúde acabam afogando o hospital.

“As demandas não param de crescer na nossa porta. A falta de oito leitos de UTI hoje é gravíssima. Isso não se via até pouco tempo aqui no Estado, muito menos na nossa região. Isso nos preocupa muito”, desabafou a diretora. Apenas em 2025, o HUST realizou 42.758 atendimentos na Emergência. No quadro geral de pacientes (160.827 no ano), Joaçaba liderou a demanda (26.538), seguida por Herval d’Oeste (20.635).

O diretor clínico, Dr. Márcio Tomazi, endossou o apelo. Ele destacou que o hospital é um motor econômico para Joaçaba, movimentando a economia local por meio dos pacientes e familiares que vêm de fora. Contudo, foi categórico ao afirmar que os municípios precisam se organizar melhor e apoiar financeiramente o HUST. “Se o básico não é feito nos municípios, a conta estoura aqui”, alertou.

Outro entrave que trava o giro de leitos é estritamente social. A direção relatou a dificuldade de conceder alta para pacientes que, simplesmente, não têm para onde ir, prolongando a permanência hospitalar de forma desnecessária e impedindo que novos pacientes graves sejam internados.

A tabela SUS e o déficit estrutural

Toda essa sobrecarga esbarra em um problema crônico do Brasil: o subfinanciamento da saúde. A tabela do SUS — gerida pela União e pelo Estado — está congelada há anos.

Durante a apresentação, a direção ilustrou como “a conta não fecha”. O custo real de cada procedimento (que envolve equipe médica, insumos importados, energia e manutenção) é muito superior ao valor repassado. Para não fechar as portas e garantir o serviço à comunidade, o HUST é obrigado a absorver a diferença financeira de cada agulha, cada hora médica e cada leito de UTI utilizado.

O futuro: Novo prédio e Plano Diretor

Apesar das adversidades diárias e do desafio de encontrar mão de obra especializada no mercado, o hospital segue projetando crescimento. A oncologia, que é o único serviço de referência da região e realizou 3.070 cirurgias no último ano, ganhará uma nova casa.

A expectativa da direção é inaugurar ainda em 2026 um novo e moderno prédio de 2,5 mil metros quadrados no Bairro Flor da Serra, próximo à atual Radioterapia e à Unoesc. O complexo vai abrigar toda a parte ambulatorial oncológica. “Esse será um centro de referência estadual, não terá nada assim no Estado. E ele é bancado 100% pelo Governo de Santa Catarina”, celebrou Lindamir.

A retirada da oncologia do prédio central (que possui 15 mil m²) é uma manobra estratégica e essencial para o Plano Diretor (2026-2036) da instituição. O espaço que será liberado abrirá caminho para a primeira grande meta da próxima década: a reestruturação completa da Emergência.

Porém, para que projetos audaciosos como esse se concretizem, o recado final foi dado pelo diretor técnico do hospital, Dr. Daniel Valli. Ele deixou claro que o HUST precisa, de forma imperativa, do apoio da iniciativa privada. Depender apenas de recursos públicos já provou ser insuficiente para manter e modernizar a estrutura que, há quase oito décadas, tem a missão ininterrupta de salvar as vidas do Meio-Oeste catarinense.


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