Morte de bebê em SC acende alerta para maior letalidade e avanço de meningite bacteriana
Estado registra 8 óbitos no primeiro trimestre e especialistas apontam circulação de variantes mais letais.
O recente falecimento de um bebê de apenas seis meses em Papanduva, no Planalto Norte, reacendeu a preocupação com a meningite bacteriana em Santa Catarina. A criança, que havia tomado apenas a primeira dose da vacina e estava com o reforço atrasado, faleceu na última terça-feira (28) após ser transferida para um hospital em Joinville.
A fatalidade ilustra um cenário preocupante: embora o número total de contágios apresente estabilidade, a doença tem se mostrado mais letal.
Números no Estado
Entre janeiro e março de 2026, Santa Catarina contabilizou 95 ocorrências e oito mortes causadas pela doença. Ao todo, 44 municípios registraram casos no período. Joinville, a maior cidade do estado, lidera a lista com 18 registros e um óbito. Outras sete cidades também tiveram mortes confirmadas: Antônio Carlos, Bombinhas, Camboriú, Itajaí, Turvo, Vieira e Xaxim.
Apesar do primeiro trimestre de 2026 ter registrado menos casos que o mesmo período de 2025 (95 contra 126), o número de mortes se manteve exatamente o mesmo (oito óbitos). Segundo a infectologista Sabrina Sabino, isso ocorre devido à presença de variantes mais perigosas: “Temos sorotipos mais agressivos que estão em circulação, como o W e o Y da meningite meningocócica, que são muito graves. Então, nós temos uma maior letalidade”.
Quem é mais afetado?
Os dados epidemiológicos de 2026 revelam os grupos de maior risco:
- A maior taxa de incidência está entre crianças de 0 a 4 anos (6,0 casos por 100 mil habitantes), correspondendo a 29,5% do total de notificações.
- Adultos de 20 a 64 anos representam a maior proporção em números absolutos (49,5% dos casos), mas apresentam uma taxa de risco bem menor.
- A maior letalidade, no entanto, foi observada entre pessoas de 50 a 79 anos, grupo que concentrou 75% dos casos fatais.
Vacinação no tempo certo
A médica infectologista alerta que apenas tomar a vacina não basta; é preciso respeitar o momento correto de aplicação para garantir a resposta do sistema imunológico. No Brasil, a vacina ACWY integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é oferecida gratuitamente pelo SUS.
O calendário atual de imunização prevê:
- Doses da vacina meningocócica aos 3 e 5 meses de idade.
- Ao completar um ano, a criança passa a receber a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
- Para a faixa dos 11 aos 14 anos, é recomendada uma dose de reforço da meningocócica C ou, alternativamente, uma dose única da ACWY.
O que é a doença e principais sintomas
A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, parasitas ou até fatores não infecciosos. A transmissão se dá, principalmente, por vias respiratórias.
Os sintomas mais comuns incluem febre, vômito, dor de cabeça, rigidez de nuca e confusão mental. Em crianças muito pequenas, os sinais podem ser inespecíficos, como febre alta e hipoatividade.
Na doença causada pelo meningococo (bacteriana), a presença da bactéria no sangue pode causar manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele. A infectologista pediatra Sônia Maria de Faria faz um alerta severo: “A doença meningocócica evolui muito rápido, em questão de horas a pessoa acometida pode estar gravemente enferma”. A indicação é buscar socorro médico imediato aos primeiros sinais.
Fonte: NSC
Nos siga no
Google News