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Foto: Rodrigo Nunes, MS, Divulgação
Saúde

Morte de bebê em SC acende alerta para maior letalidade e avanço de meningite bacteriana

Estado registra 8 óbitos no primeiro trimestre e especialistas apontam circulação de variantes mais letais.

Pedro Silva

Pedro Silva

Foto: Rodrigo Nunes, MS, Divulgação

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O recente falecimento de um bebê de apenas seis meses em Papanduva, no Planalto Norte, reacendeu a preocupação com a meningite bacteriana em Santa Catarina. A criança, que havia tomado apenas a primeira dose da vacina e estava com o reforço atrasado, faleceu na última terça-feira (28) após ser transferida para um hospital em Joinville.

A fatalidade ilustra um cenário preocupante: embora o número total de contágios apresente estabilidade, a doença tem se mostrado mais letal.

Números no Estado

Entre janeiro e março de 2026, Santa Catarina contabilizou 95 ocorrências e oito mortes causadas pela doença. Ao todo, 44 municípios registraram casos no período. Joinville, a maior cidade do estado, lidera a lista com 18 registros e um óbito. Outras sete cidades também tiveram mortes confirmadas: Antônio Carlos, Bombinhas, Camboriú, Itajaí, Turvo, Vieira e Xaxim.

Apesar do primeiro trimestre de 2026 ter registrado menos casos que o mesmo período de 2025 (95 contra 126), o número de mortes se manteve exatamente o mesmo (oito óbitos). Segundo a infectologista Sabrina Sabino, isso ocorre devido à presença de variantes mais perigosas: “Temos sorotipos mais agressivos que estão em circulação, como o W e o Y da meningite meningocócica, que são muito graves. Então, nós temos uma maior letalidade”.

Quem é mais afetado?

Os dados epidemiológicos de 2026 revelam os grupos de maior risco:

  • A maior taxa de incidência está entre crianças de 0 a 4 anos (6,0 casos por 100 mil habitantes), correspondendo a 29,5% do total de notificações.
  • Adultos de 20 a 64 anos representam a maior proporção em números absolutos (49,5% dos casos), mas apresentam uma taxa de risco bem menor.
  • A maior letalidade, no entanto, foi observada entre pessoas de 50 a 79 anos, grupo que concentrou 75% dos casos fatais.

Vacinação no tempo certo

A médica infectologista alerta que apenas tomar a vacina não basta; é preciso respeitar o momento correto de aplicação para garantir a resposta do sistema imunológico. No Brasil, a vacina ACWY integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é oferecida gratuitamente pelo SUS.

O calendário atual de imunização prevê:

  • Doses da vacina meningocócica aos 3 e 5 meses de idade.
  • Ao completar um ano, a criança passa a receber a vacina ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
  • Para a faixa dos 11 aos 14 anos, é recomendada uma dose de reforço da meningocócica C ou, alternativamente, uma dose única da ACWY.

O que é a doença e principais sintomas

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos, parasitas ou até fatores não infecciosos. A transmissão se dá, principalmente, por vias respiratórias.

Os sintomas mais comuns incluem febre, vômito, dor de cabeça, rigidez de nuca e confusão mental. Em crianças muito pequenas, os sinais podem ser inespecíficos, como febre alta e hipoatividade.

Na doença causada pelo meningococo (bacteriana), a presença da bactéria no sangue pode causar manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele. A infectologista pediatra Sônia Maria de Faria faz um alerta severo: “A doença meningocócica evolui muito rápido, em questão de horas a pessoa acometida pode estar gravemente enferma”. A indicação é buscar socorro médico imediato aos primeiros sinais.

Fonte: NSC


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