Foto: Éder Luiz Notícias
O voo inaugural do Programa VOA+SC pousou em Joaçaba na manhã desta terça-feira (3), com céu aberto, calor e grande público no Aeroporto Santa Terezinha. Houve banho de água dos bombeiros na aeronave e festa com as baterias das escolas de samba, na retomada da aviação regional em Santa Catarina.
O Cessna Caravan, prefixo PR-WOT, da Azul Conecta, decolou às 9h30 do Aeroporto Internacional de Florianópolis. O governador Jorginho Mello, que viajou como passageiro do primeiro voo, foi recebido por autoridades e pela população que esperava a chegada da aeronave.
“Eu não tenho dúvida de que Santa Catarina vai abraçar esse programa. Criamos uma alternativa para ajudar o catarinense nos deslocamentos, encurtando as distâncias. Primeiro a gente revitalizou os nossos aeroportos regionais e agora, com tudo em ordem, a gente chega com a possibilidade de voar até a Capital com preço justo”, disse o governador.
Para o prefeito de Joaçaba, Vilson Sartori, o dia é histórico. Ele lembra que o aeroporto fica em Joaçaba, mas atende toda a região, e que entidades, universidades, hospitais, empresários e a sociedade civil pediam o voo há muito tempo. “Graças a Deus chegamos nesse dia, que vai ser um antes e um depois”, afirmou.
Sartori destacou que, por terra, o trajeto até a Capital leva de cinco a sete horas, enquanto o voo dura cerca de uma hora, com passagem a R$ 450 para ir e R$ 450 para voltar. “Quem viaja sozinho, se for dividir os custos, vai de avião”, comentou. O prefeito também espera que a comunidade abrace o programa para que, no futuro, haja voos diários e as pessoas possam ir pela manhã e voltar à tarde. Ele agradeceu o governador por ter olhado não só para Joaçaba, mas para todos os aeroportos do estado.
Na avaliação do prefeito, o impacto econômico será grande. Empresários poderão se conectar com mais facilidade, empresas de fora poderão visitar a região em um ou dois dias e os negócios locais também ganham tempo para ir até a Capital e voltar. “É um marco que vai trazer desenvolvimento para toda uma região”, disse.
O ex-prefeito Dioclésio Ragnini, hoje empresário, participou da construção desse momento. Ele lembra que o trabalho começou no início da sua administração, com a reforma e o alargamento da pista, e que depois veio o cercamento do aeroporto. Foram muitas reuniões com a Azul e com o governo do Estado, além do apoio de prefeitos da região. “Demorou um bom tempo, mas é uma realidade. É uma data muito especial, porque a gente tem de comemorar o reinício das atividades do nosso aeroporto”, afirmou.
Para Ragnini, o desenvolvimento passa pelo aeroporto. Ele acredita que, em breve, os voos poderão chegar também a Curitiba e Porto Alegre. “Hoje todo mundo quer fazer tudo em menos tempo. Ganhar tempo é ganhar produção. Esse é o primeiro passo, e espero que, nos próximos anos, o aeroporto aumente o número de voos e de destinos”, disse.
O VOA+SC oferece voos a cidades catarinenses que não tinham voos regulares ou conexão direta com Florianópolis. A empresa vencedora da licitação foi a Azul Conecta, subsidiária da Azul Linhas Aéreas. Além de Joaçaba, o programa atende Blumenau, Caçador, Correia Pinto, Criciúma/Forquilhinha, Joinville, Lages e São Miguel do Oeste, com duas frequências regulares por semana. Também haverá voos entre Joinville e Jaguaruna e entre Correia Pinto e São Miguel do Oeste.
O diretor-presidente da Azul Conecta, Vitor Cordeiro Silva, disse que a empresa tem a honra de ser parceira do governo na retomada dos voos regionais. “Esse é o começo. Um projeto ligando o interior com a Capital, e nós da Azul temos a honra de ser parceiros do governo nessa retomada. Tenho certeza de que vamos colher bons frutos”, destacou.
Quem desembarcar em Florianópolis poderá ficar na cidade ou se conectar com voos nacionais e internacionais. Os passageiros de São Miguel do Oeste poderão usar o Aeroporto de Correia Pinto para conexão com Congonhas. O CEO da Zurich Airport Brasil, Ricardo Gesse, afirmou que a conectividade aérea “aproxima pessoas, estimula o turismo, facilita os negócios e fortalece a integração regional”.
Para deixar os aeroportos do interior aptos à operação, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), investiu R$ 147 milhões nos últimos quatro anos em pistas, terminais, sinalização, segurança operacional e instrumentos de navegação aérea.
O secretário Ivan Amaral explicou que o investimento mensal do governo deve ficar entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão, conforme a venda de passagens, já que o valor arrecadado é abatido do contrato. “O transporte aéreo tem custos elevados e, sem o subsídio público, neste momento, seria inviável a retomada da aviação regional”, justificou.
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