Bárbara Siementkowski
Uma força-tarefa brasileira atua em território venezuelano desde os tremores de quarta-feira (24), com base improvisada em Los Corales, para busca e salvamento. O grupo reúne técnicos do MIDR, agentes de proteção e defesa civil, bombeiros militares, Anatel, Marinha do Brasil e militares, enquanto o Itamaraty confirmou na última quinta-feira (25) a morte de dois brasileiros.
Armin Braun, diretor do Departamento de Preparação e Socorro (DPS) da Sedec, disse que o cenário é crítico. Segundo ele, a área fica perto do litoral e de montanhas, e a base foi montada num campo de futebol atingido pelo tremor, com rachaduras e torres de iluminação danificadas. Perto dali, prédios desabaram ou ficaram muito atingidos.
O Brasil também enviou uma Unidade Avançada de Trauma do Hospital de Campanha da Marinha do Brasil e militares para operar a estrutura e os purificadores de água. A equipe trabalha com equipamentos específicos para resgate e cães farejadores. Bombeiros militares de São Paulo já chegaram ao local e foram recebidos com aplausos no aeroporto.
Delcy Rodríguez afirmou em redes sociais que a Venezuela recebeu apoio de 24 países da comunidade internacional, entre eles Catar, Argentina, Emirados Árabes e México. Ela disse que chegaram 521 toneladas de insumos, 86 equipes caninas e mais de 2.741 integrantes de busca, resgate e apoio, já integrados às equipes venezuelanas.
O primeiro tremor teve magnitude 7,2, foi sentido às 18h06min no horário de Caracas e teve epicentro perto de El Guayabo. Cerca de 39 segundos depois veio o segundo abalo, de magnitude 7,5. A presidente interina fez um apelo aos profissionais de saúde do país para que toda a rede pública e privada se apresente aos postos de trabalho.
A última vez que um terremoto tão forte havia sido sentido no país foi em 1900, quando um tremor de magnitude 7,7 atingiu a costa norte venezuelana perto da capital Caracas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos emitiu alerta vermelho e estimou entre 10 mil e 100 mil vítimas.
Na sexta-feira (26), um terceiro tremor menor foi registrado. Os impactos chegaram à Região Norte do Brasil — Pará, Amazonas, Amapá e Roraima — e provocaram oscilações em edificações mais altas. Em Belém (PA), seis prédios foram evacuados para inspeções técnicas; depois da vistoria, os imóveis foram liberados. Não houve mortes, feridos nem danos estruturais significativos em território brasileiro.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar precisou ser fechado após sofrer danos provocados pelos tremores, segundo o governo da Venezuela. O MRE informou que presta assistência consular às famílias das vítimas.
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