Ibama encerra criadouro irregular de macacos no Oeste
Local operava com decisão judicial e apresentava graves indícios de maus-tratos; mais de 190 animais já foram resgatados.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu, nesta semana, o encerramento das atividades de um criadouro irregular de animais silvestres localizado em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina. O estabelecimento mantinha macacos-prego, saguis e outras espécies da fauna brasileira em condições consideradas inadequadas.
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O local funcionou por mais de dez anos amparado por uma liminar judicial, posteriormente revogada. Com isso, o órgão ambiental iniciou o processo de desativação, que foi finalizado agora com a retirada dos últimos animais.
Ao todo, já haviam sido resgatados anteriormente 167 animais — sendo 126 aves e 41 primatas — encaminhados a Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em diferentes estados. Nesta etapa final, outros 26 macacos-prego foram retirados do local. Para isso, foi necessário o cumprimento de mandado judicial, já que o responsável pelo criadouro teria dificultado a ação das equipes.
Os animais foram levados para instituições especializadas em reabilitação física e comportamental, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina.

Segundo o Ibama, o criadouro operava sem o devido licenciamento ambiental e apresentava diversas irregularidades. No local, foram identificadas situações de maus-tratos, como manutenção dos animais em espaços reduzidos, ausência de condições adequadas de higiene e alimentação, além de sinais de estresse, desnutrição e privação de luz solar.
Relatos de fiscalização apontam ainda que os primatas eram submetidos a manejo inadequado, com uso de métodos agressivos, além da separação precoce entre filhotes e mães. Os animais também apresentavam comportamentos típicos de sofrimento prolongado em cativeiro.
Durante o período em que funcionou sob decisão judicial, entre 2013 e 2024, o estabelecimento declarou a comercialização de 240 primatas — entre macacos-prego e saguis — com valores que chegavam a ultrapassar R$ 100 mil por animal.
De acordo com o superintendente do Ibama em Santa Catarina, o encerramento da atividade representa um avanço importante na proteção das espécies, especialmente do gênero Sapajus, que inclui os macacos-prego, alguns deles ameaçados de extinção.
Os animais resgatados agora passam por processo de recuperação em ambientes adequados, com acesso a áreas amplas, vegetação e estruturas que permitem comportamentos naturais, como a escalada e a convivência em grupo.
O Ibama reforça que a criação de primatas como animais de estimação não é recomendada, já que esses animais não se adaptam ao ambiente doméstico, o que pode resultar em maus-tratos, prejuízos ao bem-estar e riscos à saúde.
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